quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

No fundo do Poço...


Ainda pior do que trabalhar num sítio em que as personagens são caricaturas da sociedade, é trabalhar num sítio em que não está ninguém presente, não se passa rigorosamente nada, e nem sequer tenho nada para fazer.
Já li e revisitei alguns sites noticiosos, já joguei uns joguinhos destes de internet, daqueles específicos para quem tem demasiado tempo livre, mas continuo preso à ideia que não tenho nada para fazer.
Uma coisa é ter o que fazer e não o fazer. Começas por ter aquele prazeroso sentimento de culpa de que não deverias estar a queimar tempo com coisas que estão longe de estarem relacionadas com trabalho, outra é fazeres coisas, que fazes só para não estares a olhar para o vazio.

Que tédio!

A rainha da noite foi passear, o cromo nº2 não está, o sujeito com piada não está, o homem das apostas, está com a cabeça enfiada dentro das apostas, portanto, está enfiado no seu pequeno mundinho e não fala com ninguém, a mulher tigresa não está, o cromo nº1 não está (e logo aqui se perdem centenas de historias para contar), o homem do fundo, lá está, ao fundo escondido no seu buraco como é costume.
Resta-me o Som da Rádio Sim à frente e Nekka na Rádio Capital atrás.

Acho que também vou passear…


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Crise da meia idade.


Isto hoje é terça-feira e como tal está tudo muito alterado.

Situação entre o chefinho e o cromo nº2:

Chefinho – Pah, preciso que me faça um trabalho…
Cromo nº2 – Epah, não o estou a ouvir… estou de férias!
Chefinho – Vá lá, preciso que me faça este trabalho…
Cromo nº2 – Ok, tudo bem, é quando quiser. Hoje estou de férias, amanha e quinta estou em formação, sexta-feira também estou de ferias…

Afinal é quando o chefinho quiser e o cromo nº2 deixar… a antiguidade é um posto!

Ao mesmo tempo o senhor do fundo a ter um ataque de crise da meia-idade. Som alto e bom som para o edifício todo ouvir. 

Ouve tu também:




Imagina o senhor de meia-idade de fatinho, de copo de vodka na mão e a abanar o capacete...

Histórias de Casa de Banho


O local mais constrangedor onde podes estar fora de casa é a casa de banho. Há sempre aquele clima em que se olha para o outro com desconfiança do que o outro está a fazer e se está a olhar para o que nós estamos a fazer.

-“foi o gajo que “perfumou” assim a casa de banho?”
Ou
-“Será que o tipo vai reparar que eu deixei a casa de banho aromatizada?”

No outro dia entre na casa de banho pouco tempo depois de outro sujeito ter entrado.
Passo então a descrever a acção:
O tipo entrou, tirou um toalhete de limpar as mãos, abriu a torneira, e deixou o papel na torneira. Lavou as mãos esfregando-as intensamente como se tivesse estado a cuidar da horta e precisasse de uma boa esfregadela.

Terminou, fechou a torneira com o mesmo toalhete, e deitou o papel fora.
Tirou novo toalhete, limpou as mãos e tornou a deita-lo fora.
Ainda que os urinóis estivessem vazios, optou por usar uma sanita, no entanto deixou a porta aberta. Nota-se o movimento de abrir o fecho das calças ao que se segue um flectir de perna semelhante a um sapo.

Coloca a mão esquerda na parede em frente, e olhando para baixo, alivia-se!
O movimento muito másculo do sacudir é feito com o movimento das pernas. Aqui não sei se há movimento manual…

No fim, flecte ainda mais as pernas, aparentemente de modo a “arrecadar” o material, endireita-se e sai do cubículo.

Tira um toalhete, abre novamente a torneira com o toalhete, lava novamente as mãos com a mesma intensidade de quem precisa tirar fuligem das mãos, fecha a torneira, deita o toalhete fora, retira um novo, limpa as mãos.
Com esse mesmo toalhete abre a porta que depois de segura com o pé, deita o toalhete fora e segue viagem.
Por muito que tente descrever a acção, é daquelas situações que só mesmo visto, mas tinha de partilhar!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Volta Rádio Sim, estás perdoada!


Como é sabido, patrão fora, dia santo na loja.
Aqui não existe o patrão nem o chefe, pelo menos de um modo oficial. Existe uma rainha e seus vassalos. A rainha nem sequer é rainha, mas em todos os grupos surge um líder natural, aqui foi por ser mulher. Acontece…

Bom, a rainha não está, alias, como não estão metade dos normais utilizadores da sala.
Ora quem gosta muito da “Rádio Sim” é a rainha. Ela está fora, foi feita aquela festa que se faz quando o chefe se pira.

Em consequência, muda-se logo para a Rádio Oxigénio. Naturalmente existe uma hierarquia de utilização do espaço e eu não estou sequer próximo do topo. Qual é o problema da rádio oxigénio?
O primeiro é que está longe das minhas preferências. Provavelmente à mesma distancia que a rádio sim mas num sentido diferente. 

Mas hoje tem uma agravante. Dormi três horas, bebi um pouco mais que  o limite do razoável, a rádio oxigénio tem mais “batida” e os “consumidores” desta musica colocam o volume mais alto.
Hoje preferia a Rádio Sim… 


Fresco que nem uma alface


Estou fresco como uma alface. 
Fresco de um modo circunstancial, tal qual folha de alface que foi deixada à três semanas no fundo da gaveta do frigorífico. Fresco sim, mas nem por isso com um aspecto de coisa comestível.
Estava eu ainda há momentos na rua, a falar com um colega, que por sinal estava com tanta vontade de trabalhar, e comentava eu que um bom dia para sair à noite é o Domingo, ainda que depois tenha de lidar com a 2ª Feira.

A 2ª Feira só tem um defeito que é obrigar-me a sair da cama num horário para o qual, durante dois dias lhe perdi o hábito.

Porque vamos ver como as coisas são:
Cheguei fora de horas. Ainda fiquei ali pela rua na conversa com o tal colega. Ainda assim, cheguei e metade ainda cá não estava. A malta foi chegando e fomos por aqui falando no fim-de-semana desportivo. Com a graça do Senhor, a cor clubista é toda igual, não há grande discordância matinal, apenas uma constatação de factos.

Entretanto liguei o computador para escrever isto.
O meu dilema seguinte é: “Como é que vou ocupar o resto do dia?”




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"...eu sou do tempo em que..."


O debate do dia por aqui é “quem é o mais velho na empresa?”


A foto acima conta com a presença de 3 jovens da série televisiva “Conta-me como foi”. O rapaz que está atrás, uns meses após ter sido tirada esta foto, entrou para a função pública e é actualmente o senhor que se senta lá ao fundo.
Consigo imagina-lo de jardineiras de bombazina castanhas (sim, sim, eu também tive umas…) e de bola de cautchu debaixo do braço a entrar ali pela porta. Isto já justifica porque é que para esta malta, o trabalho é uma brincadeira.

Nunca cresceram!
Função Publica = Neverland (para os desatentos, a terra do Peter Pan)

Como ter descanso do Chefe:


Aqui há tempos o chefe andava sempre a perturbar-me para lhe fazer um cronograma correcto para os trabalhos. Um cronograma fica bonito e é valido quando conhecemos as variáveis, senão, tanto faz fazer um cronograma como jogar no Euromilhões. 

Mas a conversa era todos os dias a mesma, e francamente, já me estava a cansar, que é coisa que os chefes fazem muito bem, cansar a malta!

Um dia lembrei-me de colocar o trabalho em gráficos coloridos, daqueles simples numa folha Excel.
Foi a melhor coisa que eu fiz!
Entreguei ao chefe pela manhã, durante a tarde reuniram-se outros chefes a olhar para o gráfico, e durante uma semana inteira, não tive notícias daquele ou de outros chefes.

Conclusão:
Um gráfico colorido na mão de um chefe tem o mesmo efeito de uma PlayStation Vita na mão de uma criança.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fugindo...


Na vida, temos sempre alguma coisa da qual fugimos.

Começamos por fugir da amiga da mãe que encontramos na rua, que nos lixa sempre, seja porque vai contar à mãe onde estávamos, com quem estávamos e sobretudo que horas eram, e porque enquanto ali está frente aos amigos, irá com certeza embaraçar-nos com palavras que não iríamos querer ouvir naquele preciso momento, ou melhor, nunca!

Mais tarde fugimos dos Jeovás. Que me desculpem aos que são, mas a verdade é que 98% de nós, sempre que vos vê, se possível, fugimos. Não fugimos quando já devoram uma vitima, quando estão distraídos ou quando efectivamente já estão do outro lado da rua.

Tentamos fugir aos promotores dos diversos produtos, mas ultimamente, aparecem-nos à porta. (Ainda estou sem palavras sobre a promotora da empresa Triple Play…)

Obviamente fugimos do chefe, sobretudo quando o trabalho já era suposto estar feito, mas ainda não está porque estou a escrever o blog.

Aqui há tempos contaram-me uma história de uma senhora de oitenta anos que dizia ao marido que sexo não podia ser que estava menstruada.
Hoje, e para ser franco, todos os dias, assisto ao colega do fundo a fugir ao colega Charlot.

A desculpa é: “VOU CAGAR!!!”
O colega Charlot também poderia ser definido por colega “lapa” e é preferível simular uma coliga, uma urgência intestinal, ser alvo de piadas sobre o funcionamento dos intestinos, do que ter que aturar o sujeito todos os dias com a mesma conversa.

Felizmente, hoje estava ao telefone e também fugi de fininho enquanto outro colega, o apostador, ficou lá a ser fustigado ao mesmo tempo que olhava para mim com aquele olhar que é um misto de raiva por eu conseguir fugir e aquele olhar de cão abandonado a pedir clemência.

Segui-me com os olhos até eu entrar no edifício…
Não voltei a olhar para trás!