O local mais constrangedor onde podes estar fora de casa é a
casa de banho. Há sempre aquele clima em que se olha para o outro com
desconfiança do que o outro está a fazer e se está a olhar para o que nós
estamos a fazer.
-“foi o gajo que “perfumou” assim a casa de banho?”
Ou
-“Será que o tipo vai reparar que eu deixei a casa de banho
aromatizada?”
No outro dia entre na casa de banho pouco tempo depois de
outro sujeito ter entrado.
Passo então a descrever a acção:
O tipo entrou, tirou um toalhete de limpar as mãos, abriu a
torneira, e deixou o papel na torneira. Lavou as mãos esfregando-as
intensamente como se tivesse estado a cuidar da horta e precisasse de uma boa
esfregadela.
Terminou, fechou a torneira com o mesmo toalhete, e deitou o
papel fora.
Tirou novo toalhete, limpou as mãos e tornou a deita-lo fora.
Ainda que os urinóis estivessem vazios, optou por usar uma
sanita, no entanto deixou a porta aberta. Nota-se o movimento de abrir o fecho
das calças ao que se segue um flectir de perna semelhante a um sapo.
Coloca a mão esquerda na parede em frente, e olhando para
baixo, alivia-se!
O movimento muito másculo do sacudir é feito com o movimento
das pernas. Aqui não sei se há movimento manual…
No fim, flecte ainda mais as pernas, aparentemente de modo a
“arrecadar” o material, endireita-se e sai do cubículo.
Tira um toalhete, abre novamente a torneira com o toalhete,
lava novamente as mãos com a mesma intensidade de quem precisa tirar fuligem
das mãos, fecha a torneira, deita o toalhete fora, retira um novo, limpa as
mãos.
Com esse mesmo toalhete abre a porta que depois de segura
com o pé, deita o toalhete fora e segue viagem.
Por muito que tente descrever a acção, é daquelas situações
que só mesmo visto, mas tinha de partilhar!

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