segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Colegas no Call Center


Quando olho para o modo como “adquiri” amigos, tenho a lamentar dize-lo, mas boa parte deles tem na sua origem acontecimentos violentos.
Na pré-primária tinha um amigo que com ele dávamos tareia noutro, na primária tive outro que lhe dava tareia por ser do Sporting e ainda outro que passámos a ser amigos desde que lhe parti a cabeça na tentativa de acertar no outro em quem dava tareia na pré-primária.
Assim dito, soa-me a que sou um tipo violento e fiz bulling aos meus colegas…
Felizmente na altura eramos só traquinas e irrequietos e não me transformei em gangster nem adepto ou jogador do FC do Porto.

Mais tarde, depois de entrarmos na “idade laboral”, entramos numa empresa, conhecemos os colegas e ganhamos, às vezes, alguns amigos.
Neste caso, fui para uma empresa para trabalhar com um amigo. O trabalho era simples e chato. Operador de um call center!

Nunca me lembrei de falar deste sítio, mas este sitio por si só dava para escrever um livro.
Este meu amigo é o antípoda do super-homem de Nietzsche. Segundo esta linha filosófica, o homem deve superar-se a si próprio mostrando o melhor que tem em si. Este meu amigo, tem o potencial mas leva uma vida do “ah, quero que se lixe…”. Curiosamente os outros reconhecem-lhe o valor e o potencial, aparentemente mais que o próprio. Nunca trabalhei com ele no seu trabalho “oficial” mas presumo que seja uma espécie de craque lá do sítio que pode passar o tempo todo sem fazer nada mas mantem-se em campo porque de um momento para o outro pode ter um rasgo de genialidade para o qual é melhor estar atento! Só deste modo compreendo que nunca tenha sido despedido…

Mas também é verdade que cedo aprendi a ler mas ainda ando a aprender a perceber o que leio. Isto é valido para as letras mas é igualmente valido para a passagem das pessoas pela vida.
Este é aquele tipo de pessoa que tem o potencial para ser tudo o que quisesse, excepto nas novas tecnologias, excepto em algumas coisas que possam causar ansiedade, excepto como vendedor, no entanto não é nada daquilo que quem tá de fora espera que um tipo com o potencial necessário seja.
Conclui-se assim que o sujeito, este meu amigo, é precisamente aquilo que quer.

É fácil sentarmo-nos no café e reclamar-se do trabalho, do chefe, da falta de dinheiro (nunca falámos de abundancia do dito…), das dores no corpo que a idade vai trazendo. Mas ainda mais fácil é embarcarmos em sonhos de melhor vida e da criação de empresas. Algumas não duram mais que uma imperial, outras ainda sobrevivem uns dias. A área de conforto é sonhar ter sem na verdade a ter. A desculpa acaba sempre por ser a mesma. Falta fundos de investimento! A verdade é que mesmo que apareça um milionário e nos meta o dinheiro na mão sem perguntar o que vamos fazer com ele, é mais fácil e provável irmos beber uns copos e dizer uns disparates do que investir numa empresa!

…e tudo bem. Afinal quem sou eu para criticar???

No que trabalhámos juntos?
O pior vendedor que possa existir. Abdica de vender para saber o resultado do jogo e está capaz de se negar a vender sem simpatizar com a pessoa que está do outro lado da linha. Em contrapartida o melhor colega sempre pronto para uma boa gargalhada e que dificilmente se nega a uma imperial depois do trabalho.

Enfim, se nada mudar, será daquelas pessoas que deixarão mais marca num grupo alargado de amigos do que propriamente no mundo, mundo esse que talvez estivesse ao seu alcance.
Este meu amigo, meu colega tem tudo o que é necessário para ser caricaturado. No entanto, como deve ser o único idiota que lê este blog, opto antes por fazer um semi-tributo publico aos largos anos de amizade!


Olha Zé Miguel, vai trabalhar e larga o blog!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quem te ouvir não te leva preso II

Quando era puto dava uma novela por dia. O homem assistia ao telejornal enquanto se jantava e depois seguia para a tasca do Inácio. A mulher lavava a loiça entretanto para logo de seguida se sentar a assistir à novela.
Nesta altura dizia-se qua as mulheres eram quadrilheiras!
O tempo avançou e as pessoas deixaram de estar na mercearia do bairro, deixaram de estar na rua do bairro. O caminho mais longe que se percorre é da porta do automóvel para a porta do prédio. Hoje já nem se conhecem os vizinhos do prédio do lado!
A acompanhar esta novidade, e na necessidade de alimentar as quadrilheiras, inventaram-se vidas através das novelas, e mais novelas, e mais novelas… e o Big Brother!
As pessoas vivem hoje a maior parte do tempo a viver uma vida que não é a sua. Ou é a da televisão ou é a vida virtual!
Por esta altura estarás a fazer scroll down para perceberes se estás no mesmo blog ou se deste um salto para algum universo paralelo.
Estás no sítio do costume, não te preocupes!
Tenho um colega, esse sim, que deu um salto do início dos anos 90 para o presente!
É o típico puto do bairro, cheio de cenário que se vai esvaziando com o passar dos anos, ora pela barriga crescente, ora pelo cabelo minguante. Mas mantem o cenário do puto pintas lá do bairro com o ray ban à la piloto, cabelo na crista da onda, calcinha swell…
Só que o puto do bairro tem algumas questões pendentes. A primeira questão é que estava ocupado a orientar o penteado e esqueceu-se de ir para a fila da atribuição de neurónios. O puto entrou para a empresa quando ainda usava calções mas ainda hoje lhe custa a compreender o básico, e valha-lhe o telefone para que alguém do outro lado o ajude neste percurso tortuoso!
O segundo problema é que parcela do puto, está mesmo nos anos 90. O puto não tem qualquer relação com a internet nem sequer vê telenovelas ou big brother. Em resumo, o puto nem tem vida própria nem se alimenta da televisão nem tem vida virtual.
Então como se alimentam aqueles parcos neurónios?
A alcunha do puto será “um amigo meu…”. 
Este puto, nunca o ouvi falar de rigorosamente nada que tivesse acontecido na vida dele. A história do puto é um livro em branco. Mas tem uma biblioteca imensa de histórias de amigos que recita decor!
Qualquer historia tua que estejas a contar, logo ele intervirá: “epá, sabes lá… tenho um amigo meu que já lhe aconteceu uma cena assim, mas em grande!!!”
Ah, sim, porque é daqueles que a pila tem de ser sempre maior que a dos outros!

Um dia levo este gajo para os copos. Ou passa a ter uma história só dele ou passo a ser mais uma das histórias do cardápio… 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Quem te ouvir não te leva preso...



Sabes aquela frase: “quem te ouvir não te leva preso…”?
E quantas vezes olhaste em teu redor no teu local de trabalho e te deparaste com essa situação?
Se esta frase faz sentido quando te olhas ao espelho, se calhar é melhor abdicares de continuar a ler!
Ao longo do tempo vais apanhando pessoas que ou não querem parecer burras, ou têm vergonha de dar parte fraca ou francamente pensam que sabem mais do que na realidade sabem, mas como diria o outro, já está tudo inventado, portanto não inventes e pergunta!
O primeiro momento “Quem te ouvir não te leva preso” força-me a fluir no tempo quase duas décadas!
Na altura trabalhava numa empresa toda cheia de novas tecnologias e foi contratada uma rapariga que trazia no seu curriculum a experiencia de trabalhar com essas novas tecnologias numa grande empresa, daquelas que fazem o CV brilhar.
A este curriculum podíamos adicionar um decote de dois palmos, daqueles que dá para ver a cor da cueca!
Em determinado dia, ficou na minha competência encerrar a instalação e essa jovem estava lá para me acompanhar nessa jornada.
A rapariga, por qualquer motivo que julgo prender-se com os atributos físicos, julgava que as regras do jogo não se aplicavam a ela e decidiu ausentar-se do trabalho até que lhe apeteceu!
No seu regresso, tinha em mente agarrar nas suas coisinhas e seguir para casa, no entanto decidi que a menina estava a abusar da paciência e “forcei-a” a avançar para o fecho da instalação enquanto eu tratava de jantar. Pedi-lhe três tarefas: “Desliga os computadores, apaga a luz e leva-me a chame ao restaurante aqui ao lado…”.
Quando me foi devolver a chave, naturalmente confirmou que tinha cumprido com todas as tarefas e eu continuei o meu jantar. Relembrar que ela trazia, para além do decote, um CV que dizia que vinha com experiencia de uma grande empresa nestas tecnologias!
Acabo o jantar, regresso e vejo que toda a sala parece uma árvore de natal. Desligou os monitores todos e deixou todas as caixas ligadas…
Mas havia mais sumo desta laranja…
Em determinada altura estava a ensina-la a preencher uns formulários.
E digo eu: “…epá, ai vais ao documento X fazes copy&paste e já está…”
Responde ela: “copy&paste??? Que é isso?
Fiz uma pausa silenciosa…
Eu: “vais ao texto que queres copiar, seleccionas com o rato, fazes ctrl+C e depois vais ao local onde queres colar e fazes ctrl+v”
Ela olhou demoradamente para o teclado e pergunta: “onde está essa tecla do control C?”

Este era daqueles casos em que o ideal é olhar para a embalagem a uma distância segura e ficar na ilusão de algo extraordinário… (atenção, isto não é anedota!!!)

sábado, 10 de maio de 2014

Musica de cantor...

Antes de mais, adiciono um videoclip de Pitbull, um cantor da moda que nesta musica se apresenta com  Nayer. Nayer essa que de cantora tem muito pouco mas vale bastante pelos seus atributos físicos que me fazem recordar uma ex-namorada que não fosse o feitio, era uma jóia de pessoa! E é, mas há feitios que não se dão…


Ora este primeiro videoclip vem, não a propósito de uma ex-namorada mas pelo sucesso do momento. Vem a propósito da música “Vai Anna – Go Anna” de Anna Santiago.
Uma rapariga bastante engraçada que se mete a fazer um videoclip que ou é uma parodia ou uma demonstração de uma incapacidade de cantar de modo minimamente agradável.


De quando em vez sai um vídeo assim, recordo-me de Ninfa Artemis que volto a partilhar por saudade!

sábado, 5 de abril de 2014

Quão difícil é agrafar?

Já leste daquelas notícias que normalmente surgem dos EUA de pessoas que ganham causas em tribunal que cá nem sequer são consideradas?


Falo por exemplo das empresas serem obrigadas a colocar avisos do tipo “Bebida quente, pode provocar queimaduras severas” numa máquina de café! Ou numa garrafa de água “Abrir por aqui”.
A pergunta é normal e recorrente: “que tipo de idiotas existe nos EUA para terem que colocar aquele tipo de avisos?”

E quando menos esperas, tens um, que é teu colega e está sentado ao teu lado!
Este é o típico gajo com pinta, aquele que as mulheres partilham no facebook como a imagem de homem que querem, e o representante que não há homens bonitos e inteligentes e heterossexuais. Desta tripla, alguma coisa tem de falhar. Eu, por exemplo, sou feio, resta-me a esperança na inteligência e a certeza na heterossexualidade!

Bom, este pintarolas já faz uns dias entrou em conflito com um equipamento que desconfio ser necessário vir com manual de instruções e talvez até, seja necessária formação específica para o seu uso. Falo do agrafador!

Os primeiros sinais que algo não estaria a correr bem foi quando não conseguia agrafar nada de jeito. Podia ser defeito do equipamento, mas testei-o e ainda que não seja uma peça de engenharia alemã, verificou-se que tinha um funcionar aceitável.

Como não gosto de ser desmancha-prazeres, deixei-o continuar a tentar. Reparei que pelo caminho agrafou o dedo!

Eu fiz o mesmo, a diferença é que fi-lo quando tinha 7 anos!

A coisa passou-se até hoje…

Começou com as mesmas dificuldades em agrafar papel, nesse complexo e árdua tarefa de juntar umas quantas folhas, coloca-las na abertura entre a parte superior e inferior do agrafador e pressionar o polegar na superfície superior do aparelho enquanto se apoia o mesmo com a parte interior da mão.
Invariavelmente ou partia os agrafos ou ficavam de tal ordem dobrados que não seguravam folha nenhuma. Isto foi andando até que acabaram os agrafos…

O pior foi depois!
Pegou num daqueles conjuntos de agrafos e teve por objectivo atestar o equipamento.
Eu só cheguei no fim do “trabalho” e tive algum trabalho em perceber o que aconteceu.

Bom, o agrafador tem no seu interior uma peça com uma mola que empurra os agrafos até ao seu local de saída. Essa peça, para se atestar o agrafador é puxada primeiro para trás e depois para cima, colocam-se os agrafos e faz-se o processo inverso. De fácil percepção para quem está a ver o equipamento.

O jovem só compreendeu a parte de puxar para trás. Como a unidade de agrafos não cabia na ranhura, decidiu então fracciona-la em pequenas parcelas de cinco ou seis agrafos. A inteligência não abundava e a habilidade também não!

Os pequenos conjuntos começaram a encavalitar uns por cima dos outros e o sujeito tentou endireita-los com uma caneta. Quanto mais enfiava a caneta, mais separava agrafos tornando-os inutilizados e dificultando a vida aos que sobravam.
Quando cheguei, o jovem tinha dado cabo da caixa de agrafos estando estes espalhados em cima da mesa, na melhor das hipóteses em conjuntos de dois.

Parou porque acabaram os agrafos e por que eu cheguei, porque tenho a certeza que a esta hora ainda estaria a tentar lá colocar um a um, todos alinhadinhos no agrafador…