quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Linguagem de Chefe


No fim de contas, ser chefe resume-se à capacidade de, nos momentos correctos, dizer alguns termos técnicos que, de preferência mais ninguém entenda.

Hoje em dia a moda são as equipas multi-disciplinares, mas muitas vezes a multidisciplinaridade não passa apenas de um grupo em que dois ou três percebem o que por ali se passa, e depois, esse que entende irá traduzir para os restantes.

Aqui há tempos fui a uma reunião com sujeitos, chefes do departamento deles, que precisavam dos meus conhecimentos, mas que eram de outra área de conhecimento. O problema é que fui sozinho para o meio deles.

Passei cerca de duas horas a ouvi-los a falar numa linguagem que da cadeira onde me sentei parecia estrangeiro. Por qualquer motivo, do ponto de vista deles, eu estaria a perceber perfeitamente o que eles diziam. 

Fez todo o sentido a expressão “o silencio é de ouro”. Se abrisse a boca, iriam perceber que eu não percebo nada daquilo que eles diziam.

A minha vantagem é que eram eles a precisar dos meus conhecimentos, e eu só precisava de insistir numa única frase: “eu quero isto assim, assim e assim!” e lá voltavam eles para os termos técnicos deles.
No fim, ao que parece, concordaram com o que eu queria e a reunião terminou.
Aqui há uns anos estive na Argélia. Foi mais fácil comunicar com eles…


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