No fim de contas, ser chefe resume-se à capacidade de, nos
momentos correctos, dizer alguns termos técnicos que, de preferência mais ninguém
entenda.
Hoje em dia a moda são as equipas multi-disciplinares, mas
muitas vezes a multidisciplinaridade não passa apenas de um grupo em que dois
ou três percebem o que por ali se passa, e depois, esse que entende irá
traduzir para os restantes.
Aqui há tempos fui a uma reunião com sujeitos, chefes do
departamento deles, que precisavam dos meus conhecimentos, mas que eram de
outra área de conhecimento. O problema é que fui sozinho para o meio deles.
Passei cerca de duas horas a ouvi-los a falar numa linguagem
que da cadeira onde me sentei parecia estrangeiro. Por qualquer motivo, do
ponto de vista deles, eu estaria a perceber perfeitamente o que eles diziam.
Fez todo o sentido a expressão “o silencio é de ouro”. Se
abrisse a boca, iriam perceber que eu não percebo nada daquilo que eles diziam.
A minha vantagem é que eram eles a precisar dos meus
conhecimentos, e eu só precisava de insistir numa única frase: “eu quero isto
assim, assim e assim!” e lá voltavam eles para os termos técnicos deles.
No fim, ao que parece, concordaram com o que eu queria e a
reunião terminou.
Aqui há uns anos estive na Argélia. Foi mais fácil comunicar
com eles…

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