Uma das grandes invenções para usar no escritório por o post-it. Penso que todos os que trabalhamos num escritório concordarão com este facto.
Há malta no entanto que leva o uso ao extremo. É o caso do cromo nº1. Aqui à dias perguntei-lhe se sequer fazia ideia do que ele tinha nos post-it’s pendurados no monitor, na caixa do pc, ao longo da secretaria… Diz ele que sim, sabe de tudo o que por ali está rabiscado.
Pelo acordo de ética e confidencialidade o qual tenho de cumprir, não posso colocar aqui fotos do local em si, mas meto aqui uma foto exemplificativa:
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Rádio Sim, assim sim... (not)
São 10:10.
Até agora, aos presentes, a preocupação foi debater os jogos do campeonato e saber quem comprou o jornal para se pedir emprestado. Depois de ter assistido ao jogo, e para poupar tempo a formar opiniões, nada melhor do que pagar um jornal, não para ler noticias mas para comprar as opiniões dos jornalistas. Muito melhor é quando estão por aqui a debater algum assunto, sobretudo entre o cromo nº1 e o cromo nº2 e conforme a conversa vai andando, lá andam na internet a pesquisar argumentos para atirarem um ao outro…
11:00
Uma das personagens chegou a horas, como sempre, mas já vai na segunda saída para o café, ou seja, entrou às 9:00 mas como já foi a dois cafés, esteve sentada apenas durante uma hora, e claro, ao telefone a trocar impressões sobre o fim-de-semana.
O cromo nº2 chegou, debateu o Benfica, reclamou do trabalho e pirou-se. Deve ter ido ver onde irá hoje almoçar…
O parceiro aqui à minha frente está a ver os sucessos ou insucessos das apostas desportivas deste fim-de-semana. Tanto silencio… deve ter apostado no Barcelona (correu mal).
Atrás de mim, a mim tigresa, hoje não com um vestido mas com uma camisa tigresa a acompanhar de umas calças de um corte muito 80’s.
O cromo nº1, nada a reportar. Ainda não apareceu. Aguardo impaciente que entre pela porta ofegante. Qual será a desculpa para hoje?
Tenho um colega africano, e uma vez falávamos sobre o facto de os africanos meterem sempre o som muito alto e de janelas abertas. Disse-me ele que é mesmo assim, é cultural, partilhar o que é deles com os vizinhos.
Aqui temos pessoal que viveu também nas ex-colónias e fazem precisamente isso. Sou fustigado o dia inteiro em alto e bom som, por essa magnifica rádio, a Rádio SIM!
Se estás a ler o este texto, muito provavelmente não foi impresso, e estás na internet. Deixo aqui o link da Rádio Sim para teres a experiencia da tua vida. Tenta estar oito minutos seguidos a ouvir esta rádio. Agora imagina que eu passo oito horas diárias a ouvir isto!
Qualquer dia vou meter ali ao lado um botão do “paypal donations” para pedir um donativo para uns headphones daqueles muito grandes que quando colocados, não se ouve nada do que vem do exterior.
Até agora, aos presentes, a preocupação foi debater os jogos do campeonato e saber quem comprou o jornal para se pedir emprestado. Depois de ter assistido ao jogo, e para poupar tempo a formar opiniões, nada melhor do que pagar um jornal, não para ler noticias mas para comprar as opiniões dos jornalistas. Muito melhor é quando estão por aqui a debater algum assunto, sobretudo entre o cromo nº1 e o cromo nº2 e conforme a conversa vai andando, lá andam na internet a pesquisar argumentos para atirarem um ao outro…
11:00
Uma das personagens chegou a horas, como sempre, mas já vai na segunda saída para o café, ou seja, entrou às 9:00 mas como já foi a dois cafés, esteve sentada apenas durante uma hora, e claro, ao telefone a trocar impressões sobre o fim-de-semana.
O cromo nº2 chegou, debateu o Benfica, reclamou do trabalho e pirou-se. Deve ter ido ver onde irá hoje almoçar…
O parceiro aqui à minha frente está a ver os sucessos ou insucessos das apostas desportivas deste fim-de-semana. Tanto silencio… deve ter apostado no Barcelona (correu mal).
Atrás de mim, a mim tigresa, hoje não com um vestido mas com uma camisa tigresa a acompanhar de umas calças de um corte muito 80’s.
O cromo nº1, nada a reportar. Ainda não apareceu. Aguardo impaciente que entre pela porta ofegante. Qual será a desculpa para hoje?
Tenho um colega africano, e uma vez falávamos sobre o facto de os africanos meterem sempre o som muito alto e de janelas abertas. Disse-me ele que é mesmo assim, é cultural, partilhar o que é deles com os vizinhos.
Aqui temos pessoal que viveu também nas ex-colónias e fazem precisamente isso. Sou fustigado o dia inteiro em alto e bom som, por essa magnifica rádio, a Rádio SIM!
Se estás a ler o este texto, muito provavelmente não foi impresso, e estás na internet. Deixo aqui o link da Rádio Sim para teres a experiencia da tua vida. Tenta estar oito minutos seguidos a ouvir esta rádio. Agora imagina que eu passo oito horas diárias a ouvir isto!
Qualquer dia vou meter ali ao lado um botão do “paypal donations” para pedir um donativo para uns headphones daqueles muito grandes que quando colocados, não se ouve nada do que vem do exterior.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Vestido Tigresa
São 14:12. A hora de almoço já passou há muito tempo. Metades dos ocupantes da sala continuam ausentes, a outra metade, um está a consultar o tempo para o fim-de-semana (estão previstos 4 graus de mínima para domingo…) outro está a ver filmes do youtube, eu estou a blogar, e atrás de mim, ao fundo, vê-se as notícias na TV (sim que aqui a malta também tem televisão). A saber, toda a Europa está encoberta excepto Portugal e Espanha!
O cromo nº1 já chegou do almoço, mas já saiu de novo. Foi meter o Euromilhões cá da malta.
Fiz uma pequena pausa para trabalhar… são 14:35, o cromo nº1 voltou com a filha, fez umas cópias para a gaiata, lá para a escola, falou ao telefone com outro filho e já se pirou. A senhora que costuma habitar atrás de mim, voltou para picar o ponto e também voltou a ausentar-se. Quanto a esta senhora, é uma personagem de outro tempo. Normalmente veste-se com aqueles vestidos até ao joelho que é de enfiar e andar. Alguns deles mais justos e mais clássicos nem ficam mal, outros fazem lembrar a bata de trazer por casa da dona Hermínia, a vizinha da casa onde cresci que estava sempre à janela pronta a dar um bom dia a quem por ali passasse, que é como quem diz, a cuscar a vida de todos! Mas o melhor de todos é do vestido tigresa. Ainda há pessoas que acham aquilo sensual…
(foto descarregada da internet para fins ilustrativos)
Agora imagina esta figura assim vestida, sentada na secretaria a ver filmes em alemão, e vai-não-vai a fazer pausas para consultar o dicionário.
Esta sala é a sala que todo o mundo passa para fazer uma pequena pausa. É por assim dizer a sala de lazer ou descompressão do edifício. Só falta a máquina do café e poder-se fumar.
O apaixonado da minha vizinha de trás é um sujeito franzino, pequeno, uma espécie de folha de papel com cerca de 50 anos com uma voz a puxar para os agudos. Faz questão de estar por dentro dos temas de predilecção da minha vizinha mas não faz a mínima ideia sobre os acontecimentos actuais no mundo. Se lhe perguntarem pela Troika, irá com certeza dizer “ouvi falar disse vagamente, mas não sei bem o que é…”, o que na realidade, aqui dentro é um assunto que passa ao lado. A saber, há menos de uma centena de funcionários com vencimentos inferiores a 1000€. Isso da crise interessa para quê?
Estar aqui é como viver numa dimensão paralela.
O cromo nº1 já chegou do almoço, mas já saiu de novo. Foi meter o Euromilhões cá da malta.
Fiz uma pequena pausa para trabalhar… são 14:35, o cromo nº1 voltou com a filha, fez umas cópias para a gaiata, lá para a escola, falou ao telefone com outro filho e já se pirou. A senhora que costuma habitar atrás de mim, voltou para picar o ponto e também voltou a ausentar-se. Quanto a esta senhora, é uma personagem de outro tempo. Normalmente veste-se com aqueles vestidos até ao joelho que é de enfiar e andar. Alguns deles mais justos e mais clássicos nem ficam mal, outros fazem lembrar a bata de trazer por casa da dona Hermínia, a vizinha da casa onde cresci que estava sempre à janela pronta a dar um bom dia a quem por ali passasse, que é como quem diz, a cuscar a vida de todos! Mas o melhor de todos é do vestido tigresa. Ainda há pessoas que acham aquilo sensual…
(foto descarregada da internet para fins ilustrativos)
Agora imagina esta figura assim vestida, sentada na secretaria a ver filmes em alemão, e vai-não-vai a fazer pausas para consultar o dicionário.
Esta sala é a sala que todo o mundo passa para fazer uma pequena pausa. É por assim dizer a sala de lazer ou descompressão do edifício. Só falta a máquina do café e poder-se fumar.
O apaixonado da minha vizinha de trás é um sujeito franzino, pequeno, uma espécie de folha de papel com cerca de 50 anos com uma voz a puxar para os agudos. Faz questão de estar por dentro dos temas de predilecção da minha vizinha mas não faz a mínima ideia sobre os acontecimentos actuais no mundo. Se lhe perguntarem pela Troika, irá com certeza dizer “ouvi falar disse vagamente, mas não sei bem o que é…”, o que na realidade, aqui dentro é um assunto que passa ao lado. A saber, há menos de uma centena de funcionários com vencimentos inferiores a 1000€. Isso da crise interessa para quê?
Estar aqui é como viver numa dimensão paralela.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Breve descrição do local de trabalho...
São 10:20 da manhã de um dia cheio de nevoeiro. Trabalho numa sala cheia de arquivos e removendo os computadores, poderia imaginar-me num escritório dos finais dos anos 70. Esta sala tem 8 secretarias ocupadas por oito funcionários. Eu sento-me estrategicamente a meio da sala.
O horário de entrada é o normal das 9:00 às 18:00.
São 10:25, o colega da frente, como é normal, está com a página da Bwin aberta, uma pasta de trabalho à sua frente e no seu interior, tabelas e mais tabelas de resultados possíveis de jogos de futebol. Tem uma gaveta inteira de tabelas feitas à mão. Já o tentei convencer das virtudes o Excel, mas o prazer é fazer à mão. Passa o dia nisto, ou em longos momentos de introspecção. Aparentemente estes momentos de longa meditação resultam e lá vai ganhando mas patacas com as apostas.
À frente deste, o cromo numero 2 (e dou-lhe já o titulo de numero 2 porque o numero um está aqui atrás de mim a dizer “tau tau cain cain…” mas já lá vamos…).
O cromo nº2 não é tão cromo quanto isso, ou então é…
Este espécimen compra tudo o que lhe aparece pela frente e não interessa para rigorosamente nada. A secretaria tem de tudo excepto material de trabalho. Se precisares de alguma coisa, molas de roupa, cabos para telemóveis, chaves de fendas, bonecos, pilhas, chaves, bibelôs, é falar com ele que garantidamente há por ali. É como ir ao chinês sem sair da sala. O dia é passado a ver os perfis no facebook, a encontrar, ou não, amigas no Badoo, a ler os jornais do dia, a implicar com o cromo nº1, a contar historias que vai apanhando nos seus tempos “livres” (ex: Olha, se receberes um email sem titulo, não abras. Encaminha directamente para o Sporting").
Trabalho é uma coisa que não acontece ali naquela secretaria, mas não está sozinho.
Em frente ao cromo nº2 está um sujeito grande mas simpático. Desde que aqui estou não me lembro de o ver trabalhar. O mais parecido com isso é quando está por aqui aborrecido e acompanha alguém em trabalho, mas trabalhar dele para ele, se o fez, passou despercebido.
O dia desde sujeito é passado a consultar sites de automóveis, peças para automóveis e motas, sites de meteorologia e claro, as notícias do dia!
E o cromo nº1? É aquele que nunca conseguiria manter um emprego no sector privado. Alguém pica o ponto à hora marcada, mas chega sempre por volta das 10, 10:30 muito ofegante com uma história qualquer para contar. Ora morreu a tia, o canário, ora o transporte publico avariou, ora o senhor ali ao fundo no jardim estava à beira de se suicidar…
Incrível como é que alguém consegue criar tanta história para contar como justificação para os atrasos diários. Julgo que aqui há tempos inventaram um website dedicado a isso. Será ele o fundador?
Este cromo é uma pérola, e é bem provável que a larga maioria das pérolas que aqui colocarei, serão criação deste cromo. Imagina um ser com aproximadamente metro e meio, magro, mas com uma imensa barriga de cerveja que se move qual piolho eléctrico muito esticadinho para trás e que tudo o que possas imaginar dizer que já fizeste, ele responderá que já fez, foi profissional e garantidamente campeão em algum sítio.
O dia-a-dia do cromo nº1 vs. Cromo nº2:
São ambos sindicalistas em sindicatos diferentes. Um de direita outro de pseudo-esquerda, mas mesmo no que têm em comum, o clube, é motivo para discutir.
Neste momento, cromo 2 entra na sala, cromo 1 corre em direcção a cromo 2 e dá-lhe um valente abraço. “Calma, calma, olha o grão…”
Por hora chega, que também tenho de trabalhar…
O horário de entrada é o normal das 9:00 às 18:00.
São 10:25, o colega da frente, como é normal, está com a página da Bwin aberta, uma pasta de trabalho à sua frente e no seu interior, tabelas e mais tabelas de resultados possíveis de jogos de futebol. Tem uma gaveta inteira de tabelas feitas à mão. Já o tentei convencer das virtudes o Excel, mas o prazer é fazer à mão. Passa o dia nisto, ou em longos momentos de introspecção. Aparentemente estes momentos de longa meditação resultam e lá vai ganhando mas patacas com as apostas.
À frente deste, o cromo numero 2 (e dou-lhe já o titulo de numero 2 porque o numero um está aqui atrás de mim a dizer “tau tau cain cain…” mas já lá vamos…).
O cromo nº2 não é tão cromo quanto isso, ou então é…
Este espécimen compra tudo o que lhe aparece pela frente e não interessa para rigorosamente nada. A secretaria tem de tudo excepto material de trabalho. Se precisares de alguma coisa, molas de roupa, cabos para telemóveis, chaves de fendas, bonecos, pilhas, chaves, bibelôs, é falar com ele que garantidamente há por ali. É como ir ao chinês sem sair da sala. O dia é passado a ver os perfis no facebook, a encontrar, ou não, amigas no Badoo, a ler os jornais do dia, a implicar com o cromo nº1, a contar historias que vai apanhando nos seus tempos “livres” (ex: Olha, se receberes um email sem titulo, não abras. Encaminha directamente para o Sporting").
Trabalho é uma coisa que não acontece ali naquela secretaria, mas não está sozinho.
Em frente ao cromo nº2 está um sujeito grande mas simpático. Desde que aqui estou não me lembro de o ver trabalhar. O mais parecido com isso é quando está por aqui aborrecido e acompanha alguém em trabalho, mas trabalhar dele para ele, se o fez, passou despercebido.
O dia desde sujeito é passado a consultar sites de automóveis, peças para automóveis e motas, sites de meteorologia e claro, as notícias do dia!
E o cromo nº1? É aquele que nunca conseguiria manter um emprego no sector privado. Alguém pica o ponto à hora marcada, mas chega sempre por volta das 10, 10:30 muito ofegante com uma história qualquer para contar. Ora morreu a tia, o canário, ora o transporte publico avariou, ora o senhor ali ao fundo no jardim estava à beira de se suicidar…
Incrível como é que alguém consegue criar tanta história para contar como justificação para os atrasos diários. Julgo que aqui há tempos inventaram um website dedicado a isso. Será ele o fundador?
Este cromo é uma pérola, e é bem provável que a larga maioria das pérolas que aqui colocarei, serão criação deste cromo. Imagina um ser com aproximadamente metro e meio, magro, mas com uma imensa barriga de cerveja que se move qual piolho eléctrico muito esticadinho para trás e que tudo o que possas imaginar dizer que já fizeste, ele responderá que já fez, foi profissional e garantidamente campeão em algum sítio.
O dia-a-dia do cromo nº1 vs. Cromo nº2:
São ambos sindicalistas em sindicatos diferentes. Um de direita outro de pseudo-esquerda, mas mesmo no que têm em comum, o clube, é motivo para discutir.
Neste momento, cromo 2 entra na sala, cromo 1 corre em direcção a cromo 2 e dá-lhe um valente abraço. “Calma, calma, olha o grão…”
Por hora chega, que também tenho de trabalhar…
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