São 14:12. A hora de almoço já passou há muito tempo. Metades dos ocupantes da sala continuam ausentes, a outra metade, um está a consultar o tempo para o fim-de-semana (estão previstos 4 graus de mínima para domingo…) outro está a ver filmes do youtube, eu estou a blogar, e atrás de mim, ao fundo, vê-se as notícias na TV (sim que aqui a malta também tem televisão). A saber, toda a Europa está encoberta excepto Portugal e Espanha!
O cromo nº1 já chegou do almoço, mas já saiu de novo. Foi meter o Euromilhões cá da malta.
Fiz uma pequena pausa para trabalhar… são 14:35, o cromo nº1 voltou com a filha, fez umas cópias para a gaiata, lá para a escola, falou ao telefone com outro filho e já se pirou. A senhora que costuma habitar atrás de mim, voltou para picar o ponto e também voltou a ausentar-se. Quanto a esta senhora, é uma personagem de outro tempo. Normalmente veste-se com aqueles vestidos até ao joelho que é de enfiar e andar. Alguns deles mais justos e mais clássicos nem ficam mal, outros fazem lembrar a bata de trazer por casa da dona Hermínia, a vizinha da casa onde cresci que estava sempre à janela pronta a dar um bom dia a quem por ali passasse, que é como quem diz, a cuscar a vida de todos! Mas o melhor de todos é do vestido tigresa. Ainda há pessoas que acham aquilo sensual…
(foto descarregada da internet para fins ilustrativos)
Agora imagina esta figura assim vestida, sentada na secretaria a ver filmes em alemão, e vai-não-vai a fazer pausas para consultar o dicionário.
Esta sala é a sala que todo o mundo passa para fazer uma pequena pausa. É por assim dizer a sala de lazer ou descompressão do edifício. Só falta a máquina do café e poder-se fumar.
O apaixonado da minha vizinha de trás é um sujeito franzino, pequeno, uma espécie de folha de papel com cerca de 50 anos com uma voz a puxar para os agudos. Faz questão de estar por dentro dos temas de predilecção da minha vizinha mas não faz a mínima ideia sobre os acontecimentos actuais no mundo. Se lhe perguntarem pela Troika, irá com certeza dizer “ouvi falar disse vagamente, mas não sei bem o que é…”, o que na realidade, aqui dentro é um assunto que passa ao lado. A saber, há menos de uma centena de funcionários com vencimentos inferiores a 1000€. Isso da crise interessa para quê?
Estar aqui é como viver numa dimensão paralela.

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