Trabalhar na função pública é uma espécie de paraíso do
ponto de vista da relação trabalho/vencimento, no entanto é um inferno tão
grande trabalhar por dentro como o contribuinte que se desloca a uma repartição
com alguma necessidade.
A função pública divide-se em dois grupos que novamente se
voltam a dividir em dois grupos.
O primeiro grupo é o dos chefes.
Dividem-se entre os novos e os antigos. Os antigos dizem: “Faz-me
isto!” aos chefes mais novos. Os chefes mais novos parecem umas baratas tontas
porque não percebem muito do assunto, mas o trabalho tem de aparecer feito.
Procuram a solução como quem procura a lente de contacto e pedem ajuda a todos
os que aparecem pelo caminho. De quando em vez, não pedem ajuda e obviamente
acaba por correr mal.
Ajuda para cima não podem pedir, afinal não se pede ajuda ao
chefe, apenas se aparece com o trabalho executado. São obrigados a virar-se
para o outro grupo que é a ralé operária, ou seja, os que percebem
efectivamente alguma coisa do trabalho.
Estes dividem-se novamente entre os mais novos e os mais
velhos. Neste caso não se colocam uns acima dos outros, apenas vale a relação experiência/Capacidades técnicas.
Se os mais novos pecam em experiência, os mais velhos pecam
por defeito em qualidades técnicas.
Os mais velhos colocam sempre entraves com um “se” na
conversa. Desconfio que é algo que surge com a idade. Tudo tem um “se”!
Mas depois temos dois tipos de técnicos mais velhos.
Eu tenho de trabalhar com dois exemplares distintos.
O primeiro está sempre a dizer que “assim não dá”, mas nunca
dá uma solução. É uma espécie de comunista laboral. Está sempre mal por isto e
por aquilo.
Se tentares colocar outra solução, voltará a dizer que não
vai dar, e se tentares dizer “então diga lá como acha que ficaria melhor?”,
responde logo que não é tarefa dele pensar nestas coisas.
O outro tipo é menos doloroso. Coloca as questões dos “Se’s”,
dão-se as justificações, e respondem com cara de “Já estás a fazer merda”: “Se
querem fazer isso assim, por mim tudo bem…” e se estiver sentado, ainda se
recosta na cadeira a mostrar a imensa barriga como sendo um recipiente imenso
de sabedoria acumulada.
Obviamente que se fizeres o trabalho como te parece bem, se
tiver de passar por eles irão surgir objecções, se no futuro correr de algum
modo mal, lá estão eles “Eu bem que avisei…”


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