Horários e presenças são coisas que na função pública são
apenas um mito urbano.
A primeira vez que vi isto acontecer estava a cumprir
serviço militar. Pedi uma consulta para o médico e fui para o Hospital Militar
da Estrela, em Lisboa. Não sabia onde era, portanto fui mais cedo. Cheguei
antes da hora da consulta e antes da hora dos funcionários civis entrarem ao
serviço.
Quando chegou a hora de entrada, ainda no tempo de picar o
cartão, estava eu ali ao portão a ver quem passava e vi que metade, ou mais,
dos cartões não eram picados pelos titulares. O Zé estava atrasado, o Pedro tinha
ido às finanças, o Henrique tinha ido tratar de assuntos pessoais e só vinha
depois de almoço, a Rosário estava novamente atrasada por causa dois miúdos.
Percebi que era normal aquilo acontecer!
Aqui é mais ou menos o mesmo. A única preocupação é que o
ponto seja picado a horas, mas a tal de picagem pode ser feita pelos colegas,
portanto basta que um chegue a horas.
Se não aparecerem, também não faz mal. Há sempre alguém preparado
para dizer que foi ao café, ou ali acima, ou ali abaixo, ou ali ao lado…
Óbvio que isto não pode ser todos os dias, mas sem frequência,
quando acontece, ninguém nota.
Ou melhor, há quem note. Os colegas são coniventes e os
chefes do meio, os chefinhos e subchefes bolha, também o são. Portanto, está
tudo bem quando acaba bem!
Em resumo, por aqui o trabalho que se faz não interessa, a
presença não interessa, a assiduidade não interessa, conhecimentos e
capacidades não interessam.
Só interessa ter a folha de ponto com os horários dentro do
normal e tudo corre bem até à reforma!

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