Logo da minha vida de trabalhador entrei para uma empresa
que tinha pouco tempo de existência. Aproveitou os subsídios de incentivo às
novas empresas e lá nasceu a tal empresa.
Calhei lá de pára-quedas.
Na entrevista disseram-me no que consistia o meu trabalhão,
pareceu-me aceitável face ao que eu esperava. O ordenado não era grande, mas
para começar nem era mau.
Quando comecei meteram-me numa sala com bastante luz… a ver
mapas de Portugal.
Foi assim um dia, dois, três…
Durante um mês não fiz mais nada senão ver o mapa de Portugal,
fumar uns cigarros, apanhar frio enquanto fumava e falar de futebol. Às vezes,
um alentejano na mesma condição que eu animava a coisa contando umas anedotas.
Aquilo era uma espécie de prisão com direito a ir dormir a
casa ou uma espécie de convívio forçado.
Mais tarde acabei por desistir daquele emprego quando passei
a mendigar parcelas do ordenado para poder meter gasolina, imagine-se, para
voltar para a prisão.
“Epá, ao menos arranjem aí 5 contos para meter gasolina para
vir trabalhar…”
O dia de hoje é em tudo semelhante aos dias que por lá
passei sem fazer nada com a vantagem que tenho internet para fazer o tempo
passar!

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