O almoço é sempre à mesma hora, sempre com os mesmos indivíduos.
É daquelas rotinas tal e qual sentar com os mesmos sujeitos à mesma hora no
comboio.
Há uma senhora que se senta na minha mesa, uma personagem
que passa… deixa fazer contas… ora o ano tem 365 dias, descontamos 104 dias de
fim-de-semana, descontamos 25 dias de férias, menos uns 10 feriados, menos uns
100 dias de baixa por causas diversas, menos os dias em que se vai trabalhar
mas se ausenta para tarefas pessoais, isto devem dar aproximadamente 100 dias
de trabalho por ano. Talvez esteja a ser optimista!
Esta senhora, solteirona, fala de um modo muito pausado,
move-se muito pausadamente, e se possível, nem sequer se move excepto se for
para comer doces. É natural não tocar no conduto, mas é igualmente normal comer
duas sobremesas se estiverem do seu agrado.
Invariavelmente falta-lhe a colher da sobremesa, normalmente
alguma alma caridosa trá-la.
Hoje isso não aconteceu!
Os parceiros de mesa começaram a instigar a que usasse a
minha. Sou franco, reparei que a colher lhe faltava e corri para a minha
sobremesa antes que ela me pedisse como já tinha acontecido no passado.
Eles a dizerem num tom imperativo para eu me despachar que a
senhora aguardava pela minha colher, ela olhava para mim, e eu a pensar que é
uma brincadeira… com certeza ela iria-se levantar para ir buscar uma para ela.
Mas cheguei ao fim e ela nem sequer limpou a colher. Atirou-se à sobremesa como
se fosse a única coisa que tinha para comer desde o início do mês…
Fiquei incrédulo!

Sem comentários:
Enviar um comentário