sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O almoço...


O almoço é sempre à mesma hora, sempre com os mesmos indivíduos. É daquelas rotinas tal e qual sentar com os mesmos sujeitos à mesma hora no comboio.

Há uma senhora que se senta na minha mesa, uma personagem que passa… deixa fazer contas… ora o ano tem 365 dias, descontamos 104 dias de fim-de-semana, descontamos 25 dias de férias, menos uns 10 feriados, menos uns 100 dias de baixa por causas diversas, menos os dias em que se vai trabalhar mas se ausenta para tarefas pessoais, isto devem dar aproximadamente 100 dias de trabalho por ano. Talvez esteja a ser optimista!

Esta senhora, solteirona, fala de um modo muito pausado, move-se muito pausadamente, e se possível, nem sequer se move excepto se for para comer doces. É natural não tocar no conduto, mas é igualmente normal comer duas sobremesas se estiverem do seu agrado.
Invariavelmente falta-lhe a colher da sobremesa, normalmente alguma alma caridosa trá-la.
Hoje isso não aconteceu!

Os parceiros de mesa começaram a instigar a que usasse a minha. Sou franco, reparei que a colher lhe faltava e corri para a minha sobremesa antes que ela me pedisse como já tinha acontecido no passado.
Eles a dizerem num tom imperativo para eu me despachar que a senhora aguardava pela minha colher, ela olhava para mim, e eu a pensar que é uma brincadeira… com certeza ela iria-se levantar para ir buscar uma para ela. Mas cheguei ao fim e ela nem sequer limpou a colher. Atirou-se à sobremesa como se fosse a única coisa que tinha para comer desde o início do mês…

Fiquei incrédulo! 


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