Nesta sala mora um sujeito do qual não há muito para falar.
Mora lá ao fundo, escondido atrás de pastas e mais pastas, mesmo juntinho da
parede.
Alguém teria de habitar naquele lugar, no entanto é o local
indicado para este indivíduo. Do ponto de vista dele, são todos inimigos à sua
personalidade, e como tal, passa o tempo a rosnar e a esbracejar. Visto daqui,
parece que os braços fazem parte do monitor e é o monitor que sacode os braços
como quem comanda a orquestra.
O cromo nº1 passa o tempo a falar, é daquelas pessoas que
falam o que pensam ipsis verbis, no entanto normalmente é uma coisa muito introspectiva.
A coisa às vezes muda. O senhor lá do fundo funciona para o cromo nº1 como o
aquele diabo que aparece por cima do ombro a segredar coisas ao ouvido.
Normalmente a meter veneno para avivar a conversa com o cromo nº2.
A coisa muda de figura quando a brincadeira se vira para o
lado dele. Quando assim é, começa logo a espernear e a prometer violência tal e
qual um miúdo que não se deixou jogar à bola.
“Amanhã trago a minha bola nova de cautchu e não vos deixo
jogar…” (esta da bola de cautchu só vai funcionar em cérebros com mais de 30
anos…)
No mesmo dia, mais tarde diz o senhor do fundo para o cromo nº1:
-"Não fales comigo. Vou fazer queixa de ti..."

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